O Uso da Tecnologia para o Acompanhamento de Normas em Instituições Financeiras

Em um ambiente altamente regulado, como garantir a conformidade nas instituições financeiras?
Publicado por: Ana Claudia Pires
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No Relatório de Economia Bancária divulgado em maio deste ano, o Banco Central do Brasil reforça a discussão sobre a crescente utilização de tecnologias no setor bancário brasileiro. Segundo o Relatório, o investimento em inovações financeiras habilitadas por tecnologia na América Latina, com destaque para o Brasil, cresce a taxas mais elevadas que em mercados maiores e mais desenvolvidos.

Neste sentido, o órgão regulador destaca a sua preocupação com o processo de inovação esclarecendo que acompanha de forma contínua suas implicações, como forma de identificar as necessidades de alterações regulatórias, inclusive realizando consultas públicas com mais frequência. O resultado pode ser observado nas recentes regulamentações do setor, tais como: estabelecimento da obrigatoriedade de as instituições financeiras implementarem política de segurança cibernética e a definição dos requisitos necessários para a contratação de serviços de processamento e armazenamento de dados, e de computação em nuvem.

Entretanto, hoje o que se pode notar nos departamentos de legal, compliance e back office das instituições financeiras é que a absorção de novas tecnologias ainda se encontra em um estágio bastante embrionário. Por ano, cerca de 1.500 novas regras são publicadas pelos principais órgãos reguladores do sistema[1]. Nesse cenário de constante de mudança, impõe-se a necessidade desses departamentos de planejar as alterações de rotinas com as áreas de negócios impactadas, e – principalmente – de verificar a conformidade de seus documentos, políticas e processos com a legislação vigente.

Em linhas gerais, todo o controle do risco regulatório, inclusive nas grandes instituições financeiras, é realizado pelo departamento de compliance de forma manual, por meio de rotinas repetitivas de coleta e processamento das informações.

Contudo, algumas tecnologias disponíveis atualmente como inteligência artificial, busca semântica, machine learning, podem propiciar enormes ganhos de produtividade para as instituições financeiras; mantendo-as atualizadas em relação às mudanças regulatórias e aumentando a eficiência de seus processos de negócios. Atualmente, encontram-se disponíveis, por exemplo, aplicações que possibilitam a extração de normas, a criação de um banco de dados atualizado e segmentado por linhas de negócio, o envio de relatórios customizados aos responsáveis e até a verificação de cumprimento das obrigações em documentos produzidos por instituições financeiras.

Uma parte dessas tecnologias já vêm sendo atestadas em algumas instituições financeiras ao redor do mundo. Um artigo recentemente publicado pela Bloomberg News, demonstra que a utilização de inteligência artificial na revisão de contratos pode economizar cerca de 360 mil horas de trabalho e evitar erros – comumente atribuídos ao fator humano – em cerca de 12.000 contratos, a cada ano.

Por fim, atualmente um dos maiores desafios no mercado brasileiro é a adaptação das soluções tecnológicas já disponíveis a um ambiente altamente regulado. As altas taxas de atualização do arcabouço regulatório exigem uma orquestração afinadíssima entre a atualização de um banco de normas e o trabalho a ser realizado – por aplicações baseadas em inteligência artificial – na revisão dos documentos. No próximo post, abordaremos os benefícios da utilização da tecnologia document assembly em instituições financeiras.

[1] Conselho Monetário Nacional; Banco Central do Brasil; Comissão de Valores Mobiliários; ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais; e B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão.