Usos do TI no Varejo: a integração dos sistemas de gestão e o controle de estoque com as etiquetas RFID

A demanda crescente por integração dos canais físicos e digitais pede aprimoramento da infraestrutura e inovações no controle de informações.
Publicado por: bruna.brito@asmlatin.com
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Até recentemente, o varejo não figurava com constância entre os setores líderes em investimentos em Tecnologia da Informação, geralmente o cenário abrangia a abertura de sites de e-commerce, projetos pontuais no ponto-de-venda e otimização de processos voltados ao backoffice. Porém, mudanças no mercado tornam o setor de TI componente estratégico do sucesso no meio comercial. A demanda crescente por integração dos canais físicos e digitais exige aprimoramento da infraestrutura e inovações no controle de informações.

Conforme o post anterior, o consumidor omnichannel não compreende cada canal do varejo como único. Por exemplo: um visitante pode ter acesso a determinado item em uma loja virtual e realizar a compra no ponto-de-venda físico. Ou seja, é necessário que todas as opções ofereçam os mesmos conteúdos e condições. Para este objetivo ser alcançado, é necessária a total integração entre a plataforma de gestão do e-commerce e o ERP utilizado pelo negócio, visando garantir:

  • Padronização das informações de produtos.
  • Controle das ações promocionais e condições de pagamento de forma unificada.
  • Processamento de pedidos por canais múltiplos.
  • Integração dos estoques e distribuição.

A Tecnologia da Informação demonstra maturidade nesta área, diversos sistemas já oferecem soluções padronizadas para esta integração. Logo, é possível compreender e gerenciar as operações on e off-line como partes de um grande canal de vendas, e não como atividades independentes.

Deve-se salientar que o sucesso deste processo somente é possível com uma infraestrutura que permita a correta comunicação entre as informações provenientes de cada origem. Cloud Computing pode ser uma solução viável: esta estrutura permite que os dados sejam facilmente compartilhados entre todos os canais, sem receios quanto ao consumo de espaço nos servidores internos. Com isso é possível alcançar o objetivo de integração das plataformas.

 

Controle de estoque

Porém, há um obstáculo neste processo: o gerenciamento de estoque. Esta rotina não é totalmente automatizada, falhas humanas em inventários ou input de dados podem gerar erros nos registros do ERP. Neste ponto a Tecnologia da Informação provê outra importante ferramenta, o uso de etiquetas RFID (Radio Frequency Identification). A solução consiste em um sistema composto por antena que transmite ondas de frequência de rádio para uma etiqueta (chip de memória digital com transponder integrado). A etiqueta receptora absorve a onda e devolve informações preestabelecidas para a antena, esta envia os dados para um servidor que, por sua vez, os agrega e transmite aos sistemas de gestão.

O uso destas tags, que por muito tempo foram consideradas apenas uma evolução do código de barras, oferece diversos benefícios em relação à gestão de produtos. Um dos principais é a extensa capacidade de inclusão de informações. Enquanto a etiqueta de barras oferece a possibilidade de identificação por categoria, a RFID pode fornecer um descritivo completo de características que se manterão durante todo o processo de distribuição, garantindo dados sempre coerentes. Outro fator, é a facilidade no registro de produtos, é possível identificar uma alta quantidade simultaneamente, à distância (algumas aplicações podem atingir 20 metros) e, inclusive, sob outras superfícies (papelão, madeira, tecidos, entre outros). Ou seja, diferentemente do código de barras, não é necessário que um leitor seja direcionado à etiqueta para que o item seja registrado.

Estas características tornam possível otimizar o controle de estoque, atividade complexa no varejo (a entrada e saída de mercadorias neste setor é constante e a necessidade de integração entre os canais torna este controle ainda mais exigente). A identificação por radiofrequência traz, então, a possibilidade de um inventário inteligente: um sistema dedicado pode realizar esta rotina em poucos segundos e de maneira remota. Logo, a necessidade de manipulação dos produtos para fins de contagem é praticamente extinta. Este é apenas um exemplo das inúmeras aplicações possíveis com as etiquetas RFID, deste modo, esta tecnologia vem ganhando cada vez mais espaço no setor e alguns mitos – como alto custo – começam a ser esclarecidos.

Além do diferencial competitivo atingido com a adequação ao mercado omnichannel, a integração dos sistemas de gestão e o uso de etiquetas RFID podem promover o acurado controle dos estoque e operações, o que possibilita a redução de perdas, aumento da eficácia operacional e obtenção de importantes informações sobre resultados de produtos, categorias, lojas ou quaisquer outras variáveis. A correta análise destas informações – juntamente com estudos sobre o mercado e público-alvo – configura a terceira grande atribuição do setor de TI no varejo: a Inteligência de Negócio, ou Business Intelligence (BI).

No próximo post, a ASM irá dialogar sobre o uso e as ferramentas de BI sob a ótica do mercado varejista, com destaque para a Tecnologia da Informação no processo de tratamento e análise de dados.